Onaldo Queiroga - Meros Transeuntes
um conto - uma crônica
Diferentemente de muitos animais irracionais, o homem só vem a caminhar com suas próprias pernas após alguns anos. O ser humano passa pela infância e pela adolescência. Na fase adulta, só alguns se firmam profissionalmente, e alguns poucos chegam a comandar o destino das nações. Dentre os que chegam ao poder, muitos se transformam em seres vilipendiadores, incrédulos, insensíveis, dominadores. Em alguns casos, passam a acreditar serem o próprio Deus.
Mas somos meros transeuntes desse mundo. Apesar de todo o avanço tecnológico e científico existente nos dias de hoje, o homem não tem certeza do que existe além dos nossos limites. Aliás, muitas coisas que encontramos em nosso planeta até hoje constituem verdadeiros enigmas, como, por exemplo, as pirâmides do Egito e toda uma engenharia e cultura que delas emergem.
Embora transeunte ou mesmo passageiro de uma existência terráquea, rápida e extremamente efêmera, imcompreensivelmente, o ser humamo age, na grande maioria das vezes, como se fosse eterno, olhando para o seu semelhante como se ali estivesse um inimigo.
A história nos mostra que, durante toda a trajetória humana, existiram diversos conflitos sangrentos. Mas também a mesma história nos revela que esse conflitos muitos deflagrados "em nome da paz", na verdade tinham como objetivo fundamental a expansão do poder de um povo em relação a outro.
Diante de tantas guerras e insanidades, Deus ainda permite que a humanidade sonhe com a paz, com a solidariedade, numa luta talvez vista por alguns como desigual e infrutífera. Todavia, como ensina Richard Bach, "jamais nos é dado ter um desejo sem que nos seja dado também o poder de torná-lo realidade.Contudo, é possível que tenhamos que lutar para alcançá-lo".
É claro! Muitos peregrinos da paz já transpuseram os umbrais da eternidade, mas deixaram um exemplo a ser seguido.Ensinaram que jamais devemos nos quedar diante dos obstáculos. Por isso mesmo, nunca devemos esquecer o pensamnto de Rama Krishna: "os ventos da graça sopram o tempo todo. Você só precisa içar suas velas."Icemos, pois, nossas velas para a construção de um mundo mais justo, onde imperem a paz, a solidariedade e o amor.
A vida é bela.Mas, em muitas ocasiões, o ser humano consegue inexplicavelmente criar dificuldades diante de situações fáceis de serem resolvidas. Isto ocorre, precipuamente, em razão da vaidade, da auto-suficiência e da prepotência reinante no coração do homem. "Viver é uma estranha troca. A vida pouco nos deve; devemos tudo a ela. A única felicidade advém de nos excedermos por um propósito" (William Cowper).
Mas é preciso afirmar que esse propósito deve ser conduzido impreterivelmente em busca do bem comum. Assim, transeuntes do nosso tempo, precisamos descobrir que o amor, sem dúvida, é o remédio para todos os males deste mundo de meu Deus. Mas, para isso, temos que transformar o discurso em realidade.
Onaldo Queiroga
Escritor e Juiz de Direito.
Monólogos do Meu Tempo.
Páginas 52, 53, 54 e 55.
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