Essa parede forte que circunda um recinto ou separa um lugar do outro, ou mesmo constrói a idéia de defesa e proteção, sempre esteve presente na história da humanidade. São os chamados muros. Sim, os muros que, muitas vezes, de tão altos e longos, tornam-se muralhas, verdadeiros símbolos de sistemas completos de defesa militar ou de separação de povos.
Um dos muros mais antigos, construídos na história do homem, ficou conhecido como "grande muralha", considerada "o cristal de inteligência e de saber do povo da China antiga". Essa maravilha estende-se por cinco mil quilômetros, de leste a oeste no norte da China, percorrendo seu caminho pelos desertos e montanhas. Sua construção ocorreu no período de 770 a 475 a.C.No ano de 221 a.C., ocorreu a unificação da China, resultando na união das muralhas levantadas por cada reino. A grande muralha figura no catálogo de relíquias culturais e foi incluída, em 1987, no Patrimônio Cultural Mundial da UNESCO.
Outros muros foram erguidos. Na era moderna, o muro de Berlim dividiu os alemães. Separou a cidade em duas. Para muitos, uma verdadeira esquizofrenia geopolítica. Após envergonhar o mundo, terminou por vir ao chão.Recentemente, um novo muro passou a ser erguido para separar israelense e palestinos.
O tempo flui e o ser humano não aprende a lição. São muros, grades, redes elétricas e de proteção, cães e empresas de segurança. Numa visão neurótica e equivocada, o homem moderno constrói muros e se enclausura, ficando cada vez mais solitário, tétrico e confuso. O muro, quando é de pedra e cai, torna-se visível e mais fácil de ser derrubado,Porém, quando é construído psiquicamente, torna-se difícil de ser levado ao chão, pois não é fácil lutar contra um inimigo invisível.Esse muro imperceptível é fruto do medo e da desconfiança que, hoje, circunda a humanidade.No dia-a-dia, quantos olhares infiéis, sorrisos aleivosos e falas travestidas temos que às vezes suportar ou transpor, seja no âmbito familiar, profissional ou mesmo no social! Outras vezes construímos muros que dificultam até uma auto-análise de nosso viver e conviver.
Numa civilização cada vez mais competitiva, sórdida, solitária, incrédula e repleta de desconfiança, os muros invisíveis estão ficando cada vez mais altos, Humberto Gessinger, a propósito, disse: "Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia, o medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia. Então, erguemos muros que nos dão a garantia de que morreremos cheios de uma vida tão vazia. Nas grandes cidades, de um país tão violento. os muros e as grades nos protegem de quase tudo, mas, o quase tudo quase sempre é quase nada e nada nos protege de uma vida sem sentido".
O homem deve derrubar os muros e andar pelos jardins da liberdade, voar nos pensamentos da fraternidade e repousar o espírito nas plumas do amor.
Onaldo Queiroga.
Escritor e Juiz de Direito.
Esquina da Vida
Capítulo II - O Homem e as Esquinas
Passa o tempo e a história nos mostra que apenas mudam os
personagens, também flagelados.
Página 69 e 70.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Onaldo Queiroga - Muros
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário