Rubens Nóbrega - Língua Machista 3 - Atenção Feministas
um conto - uma crônica
No próprio Houaiss, para o homem lá estão locuções como 'homem da lei', homem do povo', homem de bem', 'homem de letras', 'homem de palavra' ou 'de poucas palavras', 'homem de pulso' e 'homem público'.
Para as mulheres: 'mulher à-toa', 'mulher da vida', 'mulher da zona', 'mulher de má nota', 'mulher de ponta de rua', 'mulher de programa'... , quando chega às locuções de acepções mais literais, digamos, jogam o ser feminino à submissão ou em funções subalternas ao homem.
Exemplos: 'mulher do lar', para significar a mãe de família que resume a sua vida a cuidar do marido, filhos e casa; 'mulher de casa', 'mulher de verdade' (que remete a mais uma verdade doméstica), 'mulher honesta' ou 'mulher séria' (só para aquelas fiéis a seus maridos).
Mais: se você usa 'homem da rua', está siginificando que ele é um homem do povo; agora, vá usar 'mulher da rua' pra ver o que acontece! E 'homem público', que se contrapõe mais ainda a 'mulher pública?'Homem público' nos leva a um presidente, deputado, senador, governador, prefeito etc., políticos, enfim. Já 'mulher pública' passa direto pras ruas e cabarés onde estiver uma prostituta.
Sei não, mas me parece urgente revisar essas coisas. A Academia Brasileira de Letras bem poderia se deter na questão, em vez de ficar bulindo com tremas e acentos que me são tão caros.
Mas não é para censurar nem esconder, não. Nem daria certo fazer assim. Palavras e expressões não estão nos dicionários por machismo ou preconceito de quem os faz. É porque estão mesmo na boca do povo, fazem parte da nossa cultura, do nosso jeito e razão de ser.
Não quer dizer, contudo, que devamos nos deter na passividade eterna de ouvir, ler, ver e repetir palavras que degradam as mulheres em geral e a condição feminina, em particular.
Rubens Nóbrega
Jornalista
Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Edição 10/01/2010.
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