Por Daniela Pinheiro
A medicina aprendeu a curar, a prevenir e até a prever doenças
Aparelho de respiração para crianças com pólio e Salk: a vacina mais importante do século
Além das condições sanitárias péssimas, não existiam remédios, cirurgias nem anestésicos, pelo menos como os entendemos hoje. No limiar deste século, a expectativa de vida estava ao redor dos 40 anos, contra os 68 de hoje, e as pessoas enfrentavam terrores difíceis de imaginar atualmente.Um talho superficial aberto no dedo com uma faca suja talvez levasse a um quadro de infecção generalizada e à morte.Algumas gripes matavam. Passear num dia de vento forte poderia significar exposição ao bacilo de Koch, causador da tuberculose, a segunda maior causa de morte da época. Uma criança acometida de poliomielite, mais conhecida como paralisia infantil, estava condenada a permanecer o resto da vida presa a uma cadeira de rodas. E raramente completava 15 anos. Ignorava-se que essas mortes prematuras por sufocamento decorriam de uma paralisia pulmonar provocada pela doença. Em 1918, 20 milhões de pessoas morreram em todo o mundo vítimas da gripe espanhola, enquanto os médicos assistiam a tudo sem recursos para interferir.
Nos últimos 100 anos o mundo passou por uma faxina, mesmo que ainda esteja longe de se apresentar como um lugar imaculado.
A virada espetacular
Indicadores dos avanços no campo da saúde:
1- Expectativa de vida
1990: 40 anos
2000: 68 anos.
2- Mortalidade infantil:
1990: 164 em cada 1.000 nascimentos
2000: 58 em cada 1.000 nascimentos
3- Cirurgias
1990: O paciente permanecia acordado ou parcialmente dopado por clorofórmio e sentia dores lancinantes. A taxa de mortalidade durante as cirurgias e no pós-operatório era de 90%
2000: O paciente recebe anestesia geral e suas funções vitrais são monitoradas por equipamentos computadorizado. O risco de um paciente morrer durante uma cirurgia é de 10%.
4- Depressão
1990: A maioria dos pacientes depressivos era considerada esquizofrênica. Os tratamentos eram isolamento, choques na cabeça e, em casos mais graves, a partir de 1935, lobotomia.
2000: Antidepressivos, como Prozac, terapia e,em último caso, internação.
5- Os desafios da medicina
1990: Sífilis - A solução veio com a penicilina, descoberta por Alexander Fleming em 1928.
2000: Aids: Não há solução ainda. Os tratamentos com AZT e coquetéis mostram-se satisfatórios
6- As grandes armas dos médicos
1990: Raio X, eletrocardiograma, aparelho para medir a pressão arterial, e anestesia interespinhal com cocaína.
2000: Ressonância magnética tridimensional, cirurgias com auxilio de computador, telemedicina.
7- Tuberculose
1990: O doente era isolado do convívio familiar e internado em sanatórios. O risco de morte pela doença era de 50%.
2000: Antibióticos e repouso. Nos países desenvolvidos, o risco de morte é perto de zero.
8- Poliomielite
1990: O doente tem partes do corpo paralisadas e grande dificuldade para respirar. Nos anos 30, as crianças passaram a usar o "pulmão de ferro", um respirador artificial que evitava o sufocamento.
2000: Com uma gota da vacina Sabin, as crianças ficam protegidas da doença, praticamente erradicada. A primeira vacina eficiente foi descoberta pelo americano Jonas Salk em 1954.
Reportagem de Daniela Pinheiro
Publicado na revista Veja - 2000
22/12/1999
Século 20
Saúde
Vitória da Vida
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